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O processo de produção: técnicas, ferramentas e matérias primas

A produção de imaginária religiosa obedece a um processo metódico que implica o domínio da técnica, o conhecimento da natureza da matéria prima e o uso de ferramentas adequadas.

No contexto das oficinas do Vale do Coronado, a imagem religiosa é obtida através da escultura talhada.

Neste processo, o recurso a um modelo ou a uma estampa é essencial. O modelo é uma peça de escultura com dimensões variáveis, por norma, mais pequena do que aqueles que convencionalmente se produzem para venda. Tradicionalmente executado através da técnica da escultura talhada, o modelo de madeira, em regra produzido pelo mestre, é uma das peças mais valorizadas numa oficina de arte sacra. Do ponto de vista técnico, o modelo serve para ser reproduzido quantas vezes for necessário. Dada a sua função, é fundamental que reúna condições de resistência e durabilidade.

Segundo a metodologia de trabalho dos santeiros, o corpo humano é divisível em “caras”. Por exemplo, o comprimento de um braço, da cavidade jugular até à articulação da falange distal do dedo indicador equivale a 4 “caras”. O cânone mais usado pelos santeiros divide a altura do corpo em 8,3 “caras”. No entanto, existem casos em que se produzem imagens com 8, 8.5, 9 ou 10 “caras”, são conhecidas como “à francesa”.

Uma oficina de arte sacra possui um manancial significativo de ferramentas de marcação, medição, corte, percussão e polimento de uso manual, mecânico e elétrico, aptas para a execução de trabalhos de maior ou menor complexidade, de acordo com a natureza da matéria prima e do pormenor do trabalho encomendado. Para as esculturas em madeira, a matéria mais trabalhada nestas oficinas, utilizam-se goivas, palhetes, coxibis, maços, esquadros, grosas, réguas, compassos, plainas, serras, tornos, machados, não dispensando as motosserras para trabalhos mais pesados.

A madeira sempre foi a matéria mais trabalhada na imaginária religiosa. No entanto, como já referido, no passado, também se utilizou o mármore, a pedra ançã e o marfim. Nas madeiras, elegiam-se os trabalhos em cedro do Brasil e buxo. A madeira de buxo, mais densa era adequada à produção de peças de menor dimensão. O cedro do Brasil, muito mais fácil de trabalhar do que o cedro nacional, era uma madeira leve e moderadamente densa.

A pintura a óleo é, ainda hoje, o processo mais comum de acabamento de uma imagem religiosa, pois ajuda a acentuar as mensagens comuns e pretendidas deste tipo de obra, traduzindo um realismo piedoso com o intuito de comover o crente. Centra-se sobretudo na sedução dos rostos, na expressividade do sofrimento através das feridas, manchas de sangue, marcas de crucifixos, entre outras.

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